sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Tecnólogo é Faculdade?



Recentemente participei de um evento no qual o Ensino Tecnológico Superior foi apresentado a alunos do Ensino Médio, da rede pública do Litoral Norte de São Paulo. Fiquei responsável por apresentar o curso Tecnológico de Gestão Empresarial, curso que inclusive estou matriculada e amando!

Conversando com os alunos, e mesmo antes do evento na minha preparação, percebi o quanto o Ensino Superior Tecnológico é desconhecido e frequentemente confundido com os Cursos Técnicos de Nível Médio. Surpresa maior foi perceber que muitos, com quem tive oportunidade de conversar, desconheciam a existência desses cursos GRATUITOS na região.

 Percebi, imediatamente, que precisava fazer algo para mudar essa situação e é por isso que escrevo hoje.

 Neste artigo pretendo reunir dados dos Parecer do Conselho Nacional de Educação 436/2001 – CNE e Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/96 para mostrar que o  Curso Tecnológico é uma graduação como todas as outras.

Comecemos por um breve histórico
Por volta dos anos 80, a educação técnica dedicava-se a produzir mão de obra operacional, capazes de seguir manuais técnicos e executar funções repetitivas e simples. Contudo a economia mudou a partir da década de 1980 e a demanda do mercado por profissionais também. A mudança do padrão estrutural das empresas, menos hierarquizados e com funções mais elásticas, dinâmicas e internacionalizadas, passando a ver o funcionário como pessoa e posteriormente como capital intelectual, demandando profissionais polivalentes e com ampla visão dos processos produtivos, suscitou a reformulação da Educação Profissionalizante. E eis que surge o Ensino Superior Tecnológico.

Na prática o que chamamos que Curso Técnico em Nível Médio, é referido na LDB 9394/96 como Educação Profissionalizante e os Cursos de Tecnólogo são graduações, isto é Cursos de Nível superior.
Vejamos na LDB 9394/96:

Art. 39.  A educação profissional e tecnológica, no cumprimento dos objetivos da educação nacional, integra-se aos diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho, da ciência e da tecnologia.         

§ 1o  Os cursos de educação profissional e tecnológica poderão ser organizados por eixos tecnológicos, possibilitando a construção de diferentes itinerários formativos, observadas as normas do respectivo sistema e nível de ensino. 

§ 2o  A educação profissional e tecnológica abrangerá os seguintes cursos: 

I – de formação inicial e continuada ou qualificação profissional; 

II – de educação profissional técnica de nível médio; 

III – de educação profissional tecnológica de graduação e pós-graduação.

§ 3o  Os cursos de educação profissional tecnológica de graduação e pós-graduação organizar-se-ão, no que concerne a objetivos, características e duração, de acordo com as diretrizes curriculares nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação. 

Como podemos perceber com relação aos cursos tradicionais de Bacharelado e Licenciatura, a diferença dá-se no perfil da formação, onde o Tecnólogo é um curso com forte apelo prático, objetivo sem perder, contudo a capacidade de compreender o contexto em que sua atividade está inserida. Difere também na duração, os cursos tecnológicos são chamados de curta duração - 3 anos e os Bacharelados e Licenciaturas podem ter 3,4,5 ou 6 anos

Consta no Parecer CES 436/ 2001 que : “Os cursos superiores de tecnologia parecem ressurgir como uma das principais respostas do setor educacional às necessidades e demandas da sociedade brasileira. Os Centros de Educação Tecnológica parecem ser uma sólida e instigante estrutura institucional  para abrigar e desenvolver a educação tecnológica, apresentando-se com características bastante interessantes para o ensino superior tecnológico, especialmente para os cursos que conduzem a diploma de Tecnólogo.”

O mesmo Parecer traz uma comparação com a evolução dos cursos Tecnológicos e o de Engenharia, e traça um comparativo também com números de outros países:

“Enquanto os cursos de formação de tecnólogos passaram por uma fase de crescimento durante os anos 70, os cursos de engenharia de operação foram extintos em 1977. Em 1980, os primeiros eram 138 (46% no secundário , 33% no terciário e 21% no setor primário), sendo o MEC responsável pela criação da grande maioria deles.” [...] “A educação profissional de nível tecnológico, onde estão alojados os cursos superiores de tecnologia, vem experimentando crescimento substancial desde então, apesar de representar apenas 5% das matrículas dos curso s de graduação (dados de 1998), o que é pouco se comparado com os EUA (quase 50%, em 2000). Neste ano, o Brasil dispunha de 554 cursos superiores de tecnologia, com 104 mil alunos (70% até 24 anos, 24% de 25 a 34 anos, 6% com 35 anos ou mais). Destes, 32% eram de Processamento de Dados; 14%, de Turismo; 11%, de Secretariado Executivo; 7%, de Análise de Sistemas; 5%, de Zootecnia e 31%, de outras modalidades. Existiam 70 modalidades diferentes sendo ofertadas em todas as áreas profissionais.”

Como todos os graduados em nível superior o portador de diploma Tecnológico pode e deve, dar continuidade a sua formação cursando Pós graduações em nível de Especialização – Lato Sensu, Mestrado e Doutorado Stricto Sensu.

De acordo com o parecer 436/2001ao término do curso, o Tecnólogo deve estar apto a

“desenvolver, de forma plena e inovadora atividades em uma determinada área profissional e deve ter formação específica para:
a) aplicação, desenvolvimento, pesquisa aplicada e inovação tecnológica e a difusão de tecnologias;
b)gestão de processos de produção de bens e serviços; e
c)o desenvolvimento da capacidade empreendedora.”

Resumindo: os Cursos Tecnológicos são Cursos de Nível Superior tal qual Medicina, Administração, Engenharia, no que se trata de reconhecimento legal,  mas que trazem em sua origem o compromisso de serem inovadores em todos os aspectos da cadeia produtiva, precursores de novas tecnologias e forte estímulo ao empreendedorismo. Reforça isto, o fato de terem curta duração, benefício que, acelera sua aplicação e que a meu ver é um dos principais fatores de confusão entre o Técnico e o Tecnólogo.

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Espero que ajude ! 

Até a próxima!

 

 

Luiza Ferreira Fernandes
Pedagoga


 





quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Começando do Começo



Olá! Bem vindos!
Este espaço é destinado a Orientação Educacional com vistas a Construção de Carreira.

Não é novidade que os jovens,  mas não só eles, adultos também, tem muitas dificuldades com a escolha do curso superior que devem fazer e mesmo se devem fazer. Para algumas carreiras o mais interessante pode ser um curso técnico como por exemplo o Técnico em Enfermagem, em Radiologia, em Farmácia, em Segurança do Trabalho, em Edificações ... Todas são profissões já inseridas no mercado de trabalho e além destas há outras que devem ser consideradas.

Antes de saber qual curso fazer e em que nível, o fundamental é conhecer a si mesmo, a máxima socrática  "Conhece a ti mesmo", é o primeiro passo.
Ao iniciarmos esta reflexão, devemos olhar para nós mesmos, com generosidade mas sem perder de vista a objetividade: aquilo que somos. Então identificaremos quais nossos pontos fortes, e os que devemos melhorar.


Todos nós temos pontos a melhorar e os teremos sempre, embora mude com a maturidade, resta portanto definir como lidar com eles.

Devemos descobrir em seguida o que nos agrada e não agrada. Isso irá interferir diretamente na escolha profissional, afinal se você não gosta por exemplo, de crianças ou não tem paciência pessoas com ritmos diferentes, não será muito feliz em áreas de educação, por exemplo, onde o aprendizado se dá em variados ritmos que certamente são diferentes do meu e do seu.

E aqui vai uma ressalva: se você se vir neste contexto, mas ainda assim a educação é o seu objetivo, isso não é o fim. Lembre-se de que sempre podemos nos transformar e adquirir novas competências e habilidades, que nos permitirá ser o que quisermos ser.
Então se for realmente importante para você, se reforme para fazer o que deseja.

Como na escultura de Bobby Carlyle, Self Made Man, somos construtores de nós mesmos, temos a força para fazê-lo e a formação que escolhermos serão nossas ferramentas para este processo.

Mas se de outro modo, você não está tão disposto a tantas transformações, considere suas características para se guiar até uma área de conhecimento que lhe seja confortável.

Pesquise sobre a carreira desejada, sua colocação no mercado de trabalho, quais as características desejáveis para este profissional e procure se ver nesta profissão.

Busque orientação de professores ou profissionais especializados.
Existem testes vocacionais e de auxilio no processo decisório aplicáveis por Psicopedagogos e Psicólogos.


Jamais foque sua escolha apenas no retorno financeiro - não há dinheiro no mundo que pague a felicidade de fazer aquilo de que se gosta!

Seja qual for o curso que escolher, saiba que ele será só o começo.


Manter a mente sempre aberta e em constante aprendizado lhe dará maiores e melhores chances de sucesso.

Não importa a escolha que você fizer, mas faça você! Porque se você deixá-la a cargo de outros, eles a farão visando seus próprios interesses em detrimento dos seus!


Espero que tenha ajudado. Terei o maior prazer em esclarecer suas dúvidas sobre carreira e formação profissional.

Sobre o que você quer saber? Sugestões são sempre bem vindas!



Luiza Ferreira Fernandes
Pedagoga




Tecnólogo é Faculdade?

Recentemente participei de um evento no qual o Ensino Tecnológico Superior foi apresentado a alunos do Ensino Médio, da rede pública do...